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Este hospital é um honrado e reconhecido ator no Serviço Nacional de Saúde

Em entrevista, o presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Ovar, Carlos Pinto Ribeiro, fala do papel da estrutura no decorrer da sua história.


A Liga dos Amigos do Hospital de Ovar “tem, ao longo dos anos da sua existência, incrementado, decisiva e indelevelmente, a qualidade dos serviços prestados”, afirma Carlos Pinto Ribeiro, que lidera esta instituição de solidariedade social e com estatuto de Utilidade Pública – sem fins lucrativos -, legalizada desde 1986.

Antigo diretor do Hospital Dr. Francisco Zagalo – Ovar e atual presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, o responsável defende que a estrutura tem sido “um parceiro presente e atento às necessidades” desta unidade de saúde. “Exemplo disso, a resposta afirmativa da LADHO à aquisição programada de dois equipamentos MAPA (Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial) e ao compromisso de custearmos, durante um ano, a despesa inerente à disponibilização de uma viatura para a Hospitalização Domiciliária”, salienta.

Quais as motivações que o levaram a aceitar o desafio de liderar a Liga dos Amigos do Hospital de Ovar (LADHO)?

Desde o início da minha atividade clínica e no Hospital de S. João aprendi a lidar com os senhores e as senhoras voluntárias em saúde. Mais tarde e durante os mais de 12 anos como diretor do Hospital Dr. Francisco Zagalo, tomei real consciência do enorme trabalho da LADHO e da sua extraordinária e decisiva importância na humanização dos cuidados prestados, quer intervindo junto dos doentes na área da Consulta Externa, apoiando na orientação dos circuitos do atendimento e distribuindo chá, café e bolos secos, quer visitando doentes no internamento e levando jornais e revistas, quer, ainda, dando resposta a sugestões vindas do hospital para a aquisição de equipamentos que melhoram a habitabilidade da infraestrutura e que maximizam a qualidade e a fiabilidade dos cuidados prestados.

Foi esta vontade de ajudar, de cuidar, de partilhar tempo, de estar próximo de quem está doente, fragilizado e, tantas vezes excluído, que faz com que, na LADHO e na Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, de que sou presidente da Direção, eu sinta, plenamente, que esta é a melhor e a mais sublime forma de exercer a cidadania e de contribuir para uma sociedade mais inclusiva, mais justa, mais solidária e mais humanizada.

A comunidade tem aderido às vossas iniciativas ou considera que havia de existir outro envolvimento?

Na perspetiva de angariação de fundos que sustentam, exemplarmente, as nossas despesas relacionadas com as ajudas na comparticipação na aquisição de medicamentos aos doentes com intransponíveis dificuldades económicas e que já ultrapassa os mil euros por mês e na modernização e adequação do Banco de Ajudas Técnicas aos infindáveis pedidos por parte dos associados e não associados da LADHO, a comunidade tem sido de uma generosidade infinita. A Lojinha de Verão, o Bazar de Natal, o Balcão na Consulta Externa, o peditório anual são exemplos significativos da atenção e da comparticipação da gente vareira na nossa atividade humanitária insubstituível. A cotização anual mínima de 6 euros por associado, os subsídios da Câmara Municipal de Ovar e da União de Freguesias de Ovar, S. João de Ovar, Arada e de S. Vicente de Pereira Jusã e a bondade e generosa dádiva de alguns associados mais colaborantes e disponíveis, completam as nossas receitas que, por agora, nos tem permitido atuar sempre na resolução de todos os problemas que nos são colocados pelo hospital e pela comunidade.

Fica o lamento de os vareiros não responderem da mesma forma entusiasta e afirmativa às iniciativas de índole informativa e cultural que a LADHO promove com regularidade, como disso é exemplo a Conferência do Mês de Maio – Mês do Coração e onde, com a participação de especialistas, são abordados temas sobre doenças do coração e onde a adesão é muito escassa.

Os serviços prestados podem melhorar com a ação da Liga?

A LADHO tem, ao longo dos anos da sua existência, incrementado, decisiva e indelevelmente, a qualidade dos serviços prestados. A humanização das áreas de concentração de doentes nas salas de espera, diminuindo a latente conflitualidade, promovendo a inclusão benigna do doente e acompanhante na organização hospitalar, facilitando a circulação na instituição, são fatores que incrementam a qualidade dos serviços prestados e facilitam a perceção e o efeito dos mesmos. A visita ao internamento a doentes que não têm visitas de familiares e amigos e cumprindo, obviamente, as regras de funcionamento dos serviços clínicos, é outro fator que influencia a qualidade dos cuidados porque diminui a ansiedade, a rejeição e a negação do doente.

Por outro lado, a LADHO tem participado, ativamente, na aquisição do mais variado equipamento clínico e de apoio às atividades hospitalares que contribuíram significativamente para a melhoria da assistência aos doentes. Melhorar as condições de trabalho é melhorar a qualidade dos cuidados prestados. Temos sido um parceiro presente e atento às necessidades que nos são reportadas e são exemplo disso a resposta afirmativa da LADHO à aquisição programada de dois equipamentos MAPA (Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial) e ao compromisso de custearmos, durante um ano, a despesa inerente à disponibilização de uma viatura para a Hospitalização Domiciliária.

Como analisa o dia a dia do Hospital Dr. Francisco Zagalo – Ovar?

Iniciei a minha atividade clínica no Hospital Dr. Francisco Zagalo em outubro de 1976, incluindo a equipa que trabalhava na Urgência. Em 1986 e por concurso público assumi o Serviço de Cirurgia e, com a ajuda abnegada e competente de colegas construímos o Serviço de Cirurgia. Mais tarde e como diretor da instituição integrei uma equipa de profissionais que guindou o hospital à qualidade de instituição acreditada. É um percurso que transformou o hospital numa instituição que faz bem o que faz, que cuida bem dos seus doentes e dos seus profissionais, que tem competências e saberes que fazem dele um excelente hospital de proximidade e para quem continuamos a trabalhar para que, integrado com os cuidados de saúde primários do concelho e em parceria com outras instituições de saúde, continue a ser um hospital onde os doentes se sintam confortáveis, bem tratados e sejam o foco do trabalho e das preocupações de todos os profissionais, sem exceção e com humanismo, dedicação, competência e equidade.

A LADHO envidará todos os esforços e disponibilizará todos os meios e acredita que dos profissionais de saúde do hospital existirá o mesmo compromisso, para que o hospital, com respeito, com dignidade, com competência e com eficiência, mantenha o foco no doente/utente e seja um honrado e reconhecido ator no Serviço Nacional de Saúde.

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